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25 de maio de 2020

Filhos Da Classe Média

Se eu parasse pra falar de como isso me incomoda,
A maneira que me espreitam quanto tudo à minha volta.
Me deixa.
Me erra.
Não fode.
Todo mundo tem problema e toca a vida como pode.

Os amigos que me erguem dos olhares que me ferem,
Na consciência estou tranquilo, porque pra mim não faz sentido:
Vida, fingida, morrendo por dinheiro
No Instagram é "minha querida" e o dia a dia é no puteiro.

Como pode nos seus dias pregar sobre o evangelho,
Bater na própria esposa e trai-la sem critério.
A segurança de uma lar é sustentada em um contrato
Lambendo o chão do chefe, de gravata e de sapato
O seguro desemprego acarreta no divórcio
Esposa, amante, negócios...
...No clube dos covardes sempre cabe mais um sócio.

Castelos de areia, na beira de uma praia.
Fotos de comida, velhinhos de mãos dadas.
Vivendo a sua vida, pois a minha não tem graça,
Entre stories e curtidas eu me afogo na cachaça

A poltrona é o meu trono, a minha casa o meu domínio.
A pensão meu ganha-pão e o meu filho um inquilino.

Colégio de freiras, merenda e Danoninho.
Aos nove Disneylândia e aos dezoito meu carrinho.
No Facebook malvadão,
E pelas ruas eu me escondo
Das histórias sendo rei,
Quem conta o conto conta um ponto

Vida colorida, gastando sem desculpa
Praia todo dia e o futuro não preocupa
Assim vou me moldando em um perfeito cidadão:
Dou Grana pra polícia e quero o pobre no valão.
Não contesta, não quero, se afasta!
Minha vida preguiçosa não combina com gentalha.
Um retardado usando Tommy
Uma perua usando Prada
Não mete a mão na louça,
Não lava uma privada.
Selfie e TBT, de uma mentira enlatada
Escravizados pelo ego, e o afeto é coisa rara.

O minha casa, minha vida
Uma mentira mal contada
Mediocre pela herança
De um ser que não trabalha
Compra na shopee sentada na privada
E na volta de Miami
Eu não quero ser parada
Boyzinho Preguiçoso
Não trabalha por escolha
Mete um filho na empregada
Enquanto ela lava roupa
Fugindo pra praia
Com a sua namorada
Loirinha de família
E o namoro é de mãos dadas.
Conta pra mãe dela
Com a cara mais lavada
Que já tá pra se formar
E que a vida é uma batalha
Uma família de mendigos
É motivo de careta
7 mil num celular
Pra jogar e bater punheta
Volta pro teu quarto
Tua casa e teu trabalho
Sai do meu caminho

(pausa)

Seu aspirante de burguês safado.

24 de maio de 2020

Uma Janela Particular de Sonhos

É quando a gente tá sozinho, no mundo infinito entre a cabeça e a vista da janela, no silêncio do quarto, da casa. É nessa hora que o corpo fica estranho, a cabeça agita e a gente vai atrás de qualquer lembrança de cheiro de mãe,  do primeiro gole de qualquer coisa em um dia que foi memorável. É quando a pele fica levemente grudada e se estica, o peito se enche e os olhos não transbordam. É quando a gente sente que tá domando aquilo que não tem nome e que só vivencia, quem se aventura pra dentro da própria historia. Desse emaranhado todo brota uma poesia que por si só faz um barulho tão ensurdecedor quanto um controle remoto caindo no chão, interrompendo o silêncio. Talvez quando se tem um mundo de coisas bonitas querendo sair - sem saber como, pra quem ou pra quê. Algo parecido com a vida transbordando através do tempo, tornando a noite inquieta e domando o silêncio sob o efeito de qualquer veneno entre a boca e o estômago, bem no meio do peito.

5 de maio de 2020

Uma Crônica Sobre Nós Três.

...até que pensei: "que bom seria, se meus dias começassem na praia. Dando bom dia pro porteiro noturno acordando, antes das barracas chegarem, chegando na areia na hora em que abre o metrô, dando um mergulho não importando o tempo, prestando atenção no sal secando na minha pele. Antes dos idiotas começarem a brigar por espaço no trânsito, antes da minha cabeça dar nó, antes de começar a pensar demais." O sol tava começando a esquentar a areia ainda fria nos meus pés e o vento de sudoeste, ajeitou as ondulações, anunciando o swell que chegaria na sexta feira. Você me olhava calada, de um jeito que me fez lembrar de como eu recortava as nossas fotos, rindo pra lente, rindo pra fora. Nessa hora, alí diante de todo esse emaranhado de idéias, percebi que há meses eu apenas fazia planos, vestindo sobrancelhas franzidas e mergulhado em um monte de contas. Quantas vezes pedimos comida nas últimas semanas? Quantas vezes havíamos ido ao cinema, quantas vezes fizemos algum programa que não fosse comer ou encontrar pessoas para beber e comer? Éramos nós três, antes mesmo do Toy, éramos três: eu, você e nós dois. Fazia tempo que o "nós dois" estava no quarto sozinho, sem receber atenção. Bem, já fazia um tempo eu havia feito uma promessa de cuidar de nós três e o medo dessa mesma promessa ser tudo o quê poderia me restar, me fez perder o sono, andar apressado sem destino, me fez traçar esboços, acordar cedo, e dormir tarde, e acordar cedo e não dormir e dormir e acordar cedo. Até que nesse vai e vem de introspecção em um mundo de comida por aplicativo, serviço de streaming, bolsa de valores e vídeo game - eu desisti de deixar você dormir, enchi o pneu da bicicleta e te puxei pra praia as 6h da matina. Você continuava sorrindo do mesmo jeito, se mexia da mesma forma e com toda a meiguice pela qual me apaixonei há quase 4 anos. Naquela hora meu coração disse que sentia falta da inquietude da paixão presente no suor de um abraço em um lugar insuportável de quente, de um beijo de lingua que ignora a sede da garganta seca - como quem quer estar perto, porque ficar longe faz coçar e dói. Olhei pra você e acalmei um monte de coisas, incluindo meu coração.

15 de dezembro de 2018

Bem vindo a 2014, Platão.

...até que em algum momento esqueci da minha ideia louca de ir pra Bahia tentar voltar a surfar e vimos uma lhama comendo capim. Equanto ela tirava fotos, senti que minhas pernas doíam de um jeito que os treinos de jiu jitsu jamais tinham alcançado. Minha calça jeans era 48, as sociais, 52. Eu não lembrava quando tinha transado pela ultima vez mas lembrava do símbolo platinum nos meus cartões de crédito, e olhando aquelas ruínas de civilização pensei que não tinha dinheiro o suficiente pra chegar mais alto. Olhei o céu azul, olhei as núvens e por algum breve momento voltei alguns anos lá pra praia na Vinícius, pro quarto bagunçado do Gebê, pro skate. Foi quando que sem perceber, contemplei aquele breve silêncio até ser interrompido pelas vozes de um casal de turistas. Meu Galaxy Note 3 não tinha nada de novo além de conversas vazias, um Facebook cheio de mentiras e o Whatsapp onde só se falavam da Copa do Mundo que ia ser no Brasil. Os turistas pareciam se divertir conversando e eu passei a pensar no quanto eu não aguentava mais ir pra bar ouvir o mesmo papo corporativo de sempre, enchendo a cara de gordura e chop. Abrí o instagram e nem sabia usar hashtag, #tbt não existia e eu tava no topo do mundo: usando algemas de 9 mil reais, gordo, deitado, espalhado na grama de 600 anos bem cuidada e verde, em um dia de céu aberto,  reclamando e pensando no quão alto eu poderia chegar abdicando da minha natureza, das minhas essências. Bem, eu queria ir pro Nordeste mas eu não sabia sonhar alto. Peguei um avião, trem, onibus e trem. E onibus e trem e onibus. Fui parar em Machu Picchu e tirei fotos que fariam minha vida parecer perfeita, enquanto cerrava chifre e conversava pela milésima vez sobre divórcio entre uma briga e outra. Eu ví a falta daquilo tudo que era parte da minha carne se transformarar em uma espécie de agonia, que me fazia gritar em silêncio todas as noites de sexta. Não me reconhecia, e mesmo lá de cima não me admirava, não olhava pra aquele céu com esperança e sim, quase que em tom de prece. Primeio tiraram minha voz, depois a autoestima. E enquanto os buracos  cresciam, minhas estrias tatuaram minha pele antes mesmo de eu reconhecer o monstro que tinha me tornado, morando na Caverna, em um Banquete inspirado por qualquer obra de Platão perdida na minha memória. 

27 de novembro de 2018

Redenção


Se eu te falasse do meu mundo colorido
O seu sorriso, o meu sentir e nada mais
A testa baixa, um olho roxo e minha libido
O sol nascendo e o meu mundo se desfaz.
Se eu te falasse dos meus sonhos de menino
Se eu te falasse do meu filho que se foi
Recompondo alguns dos versos mais antigos
Meio inquieto eu deixo o sono pra depois
Os meus fantasmas me perseguem em pensamento
Broto de sonhos que morreu, se decompôs
O silencio anunciando uma tormenta
A madrugada deixa o choro pra depois
Verso por verso, eu te procuro aqui dentro
Jogo pro vento a vontade de te ter
Aqui comigo, acalmando o meu "por dentro",
Teu cheiro em mim é tão dificil de esquecer

Se eu pudesse abraçaria as coisas lindas
Desenho flores sobre a tumba do meu pai
Minha mãe chorando procurando margaridas
Podando magoas pra deixar tudo lá atrás.

Seu te falasse que um dia ja fui rei,
Se eu te falasse que um dia tive paz.
Te contaria sobre o tapa que levei
E da mulher que hoje é mãe e não quis mais
Eu lembro dela, de um aborto e tantas outras
Sonhos de um, "o meu amor não é pra nós."
Quantos anos você teria hoje?
Quem eu seria sem a marca de nós dois?

Se eu te falasse que amei o sol e a lua
E que escrevi canções  tão belas sobre amor
Se eu falasse que esqueci da minha saúde
Cruzando mares, ruas pra fugir da dor  
Talvez se eu algum dia eu resolvesse perguntar
Deus me diria ou alguém viria me contar
Sobre a saudade que insiste em sussurrar
Palavras doces, sobre o belo, sobre amar

Vem aqui, me abraça forte
Me dá teu cheiro, e ensina a me doar
Pra entender que eu posso amar, que mundo é lindo
Pra entender que não preciso me matar

Verso por verso, essa agonia me atenta
Quebrei a casa e engoli meu coração
O silencio anunciando a morte lenta
Sobrevivi, deixando manchas no colchão
Todas as noites, como eu faço pra dormir?
Deus me perdoe, pois tentei, nao consegui.
A praia, o mar, o verde e o céu azul anil
Um poeta aprendendo a ser gentil

O peito dói, mas não só porque amei
O peito dói pelos sonhos que matei
O peito dói, mas não só porque amei
O peito dói pelos sonhos que matei

21 de novembro de 2018

Arroto e Elis

'Caía a tarde feito um viaduto,
Azar a esperança equilibrista', calma.
Não pula estrofe,
Verso por verso
Escrevo, rezo.
Violão e TOC
Nada de toque,
Não me toque.
Não pense em respirar, deixa sair.
Pega fôlego, o mar ta grande.
Pega andando, mas pega esse bonde.
Não da pra acompanhar,
Não pode seguir.
Perguntar aonde foi,
Explicar o tamanho.
Homem que é homem não prova
Não toca, se entoca
E uma vez na toca,
Chora.
Curando, o bordão vira jargão
E o jargão uma piada,
Uma piada de mal gosto.
Cansado,
Calado.
Era uma vez, mais uma vez
Um poeta falido
Aguardando a sua vez
De consertar o coração partido
De redescobrir caminhos
Sempre apontando
As ruínas da terra prometida.
O sonho americano
E um punhal afiado com carinho me perfura
Meu bucho, meu coração
Bruto.
Brutus, até tu.
Desde o primeiro dia esperei,
Não me assusto
E ainda disposto, me deito.
Vai dar jeito,
As linhas tortas das tantas areias
'Por onde andei vestido de cetim'
Queria eu, 'por onde for, ser seu par'.
Despido, fugiu da encruzilhada
O anjo caído
Já não queria acordos e almas
Ou mesmo, consolo.
Seus olhos e pele gritavam por amor.
Por paz.
E o som que se ouvia distante,
Era um arroto.
Via-se pela via, ainda morno, em trilha.
O sorriso blasé
Que o sangramento escondia.

21 de outubro de 2018

O Vazio da Classe Média

   Sim, muitos vão querer o quê você tem. Pessoas dirigindo o próprio carro, postando foto "da viagem mara" da mesa do escritório naquela pausa pro café. Sim, eu sei de você. Sei que você levou a faculdade a sério, que foi a festas memoráveis e que, se formou no tempo certo. Sei que você tem compaixão pelo seu amigo proximo que não tá indo pros chops da galera porque tá faltando grana. Sei que você atura um monte de gente chata porque não tem escolha, porque sozinho dá medo - tá certo, você está fazendo e sempre fez tudo certo. Sei que você gosta de ficar levemente embriagado, de sentir o gosto da picanha e que tem vontade de socar o cara do trabalho que não cala a boca. Sei que todo Domingo antes de ir dormir você faz um monte de planos e revê a sua vida, soltando um suspiro, achando que tá sem fôlego. Sei que você pensa que as parcelas e as contas estão em dia, que a geladeira ta gorda e que sua vida está em ordem.
   O quê de fato sei, é que essa sua infelicidade nunca vai embora e que você nunca vai encontrar "o quê te falta" enquanto não entender que o mundo tá doente porque as pessoas trazem chocolate do freeshop pra colegas de trabalho que não suportam, transam sem um mínimo de troca, escrevem poesias pra enaltecer ou curar o ego e não, pra espalhar emoção. Alguns doam até o próprio sangue e beijam os filhos na testa, antes de pensar na gostosa do Whatsapp e em trocar de carreira pra ficar mais em casa afinal, a esposa é parceria... não dá pra trair, né? Pensam ainda em perguntar como foi o dia do porteiro, dando bom dia pro caixa da padaria e abraçando os proprios pais mesmo sem reconhecer o cheiro da pele deles... parece um esforço, eu sei cara. Nada disso faz passar, né? Nada disso acalma o teu coração, nada disso te preenche. Você pensa em voltar a surfar, andar de bicicleta, fazer trilhas, correr maratonas, voltar a estudar. Ler o próximo livro sobre empreendedorismo e autoconhecimento, fazer Yoga, jiu jitsu. Fazendo uma força cada vez maior pra ser gentil, calmo e mandar aquele "faaaala, tudo certinho?" depois de socar a parede ou chorar escondido. Vai lá cara, continua. Você tá fazendo tudo certo.
   Muitos vão querer até "o nada" que você tem. Mas poucos estão dispostos a pagar o preço.

17 de outubro de 2018

Sunnybrook Hospital E Wing ale, Patient Records

Rising sun, scratching bones
Twilight dreams of broken songs
Sang me one, repeating twice
Took my chances by rolling dices
Fallen asleep while you can
Lost in dreams won't tell you when
Peace, love, disturbing horror and gore
Still pretending, who feels it sore?
They've put me aside
Not despite nor beside
Aside, nothing more
Time will tell stories 'bout hell
Lost breath, dingling bells
Screaming regrets, blowing in the wind
Traced lines, scarred skin
Cursed land had made me cold
In the hands of her
I've been saved by love.

16 de setembro de 2018

Setembro Amarelo, quase uma hepatite

   Outubro é o mês do meu aniversário. Estando longe dos meus amigos e familia há mais de 1 ano e meio, faço uso das redes sociais porque geralmente lembro de algo engraçado e de alguma forma, bate saudade. Isso acontecia quase que diariamente, mas algo vem mudando. Eu saí do meu cercado achando que o quê me pertubava era a falta de perspectiva e que as pessoas, só não sabiam observar que a causa de tanta desgraça, é estrutural.
  Eu estava errado. Acho que 100% errado, visto que ser capaz, inteligente e esforçado te leva a qualquer lugar. De fato estava fugindo de algo que me fazia muito mal e acho, que quando parei para observar me assustei com o quanto tinha deixado de lado o meu corpo, meus habitos e minha saúde como um todo. Não gostei, não gosto do quê vi e vejo no espelho. Veja bem, eu não me odeio, acho que sou até soberbo na hora de olhar para as minhas qualidades. Na minha psiquè isso funciona como algo que tem a ver com desperdício, já que nos melhores colégios eu era o aluno que dava trabalho, que só queria brincar. Eu gostava tanto de ir pro colégio... eram amigos da minha idade e as brincadeiras eram as melhores - eu comecei a aprender informatica em 1988. O colégio era referência, parecia um castelo, tinha uma tamarindeiro, piscinas, coreto e a menina mais bonita e popular era filha de político, claro.
   Na minha cabeça era tudo uma brincadeira, um grande Facebook da vida real onde havia zero compromentimento com responsabilidades: pilhas e pilhas de deveres de casa não feitos, advertências, suspensões. Eu só entendi como a vida funcionava anos depois com tanta reviravolta, indo pro colégio no nono ano do Ensino Fundamental e usando uniforme, encontrando um amigo que tava na faculdade e sentindo vergonha. Cerca de uns 8 meses depois namorei uma menina da minha idade, familia margarina de Ipanema, fazia arquitetura na Santa Ursula, tava tirando carteira de motorista e o computador aonde ela fazia os trabalhos de faculdade era mais caro do quê o meu quarto inteiro. Obvio que menti a minha idade, falei que tava quase me formando no ensino medio e que, queria fazer desenho industrial. Eu menti de todas as formas até que ela me viu na porta do colégio, em uma das suas voltas pra casa.
   Alí, alguma coisa clareou na minha maneira de entender o mundo: a gente tem que sobreviver, tem que sobreviver o tempo todo. O colégio caro, o tamarindeiro, a praia, os presentes e festinhas megalomaníacas de aniversário, as surras...  eram artifícios pra me preparar, pra me tornar forte o bastante e conseguir me virar, sobreviver sozinho.
   Seguindo esse plano eu aprendi piano, bateria, violão, surf, a montar/consertar computadores, mexer nas raizes de sistemas operacionais, aprendi desenho tecnico, historia da arte, lavar louça, empacotar comida chinesa, artes marciais, cozinhar, carregar malas, capinar, a fazer serviços de marcenaria, desenhar gente nua, serviços basicos de mecânica, pintura e hidráulica, aprendi a dirigir, aprendi a escrever queries básicas de SQL, mexer em GDSs, aprendi 2 linguas diferentes da minha, fui professor de redação pra crianças carentes, barman, fui em boca de fumo pedir pra traficante poupar amigo viciado, ensinei senhorinhas a dançar bolero, tcha tcha tcha e forró, mexi com portfolios de milhares de dólares diariamente, participei de negociações envolvendo milhões, tirei foto de sushi e do cafezinho com creme até perceber que quanto mais você sobe na vida, mais soberbo você (petri)fica.  Cheguei aos 35 com os skills (sic) mais variados, com um diploma de bacharel sem comprar monografia, e sabendo construir uma casa de pau-apique (é sério). Mas infelizmente, sou incapaz de oferecer constância ou equilibrio na hora de seguir o plano "da mão invisível" do mercado.
Puxa, logo eu? O menino que tudo teve, o menino que nada construiu porque se nega a seguir o protocolo, o menino que nunca vai encontrar paz no meio dos modelos que a sociedade (vulgo, você que lê a esse texto) têm pra me oferecer. O menino de quase quarenta que lê textos lindos sobre o setembro amarelo e se pergunta: "será que eu conto que a vontade de morrer brota desse tipo de fingimento? Será que a fé é algo tão tateável ao ponto de tirarmos selfie com a imagem de uma santa e fechar o vidro do carro pra não sermos incomodados?" Falar sobre o desejo de um mundo melhor, todo mundo fala... posta, escreve, desenha, pinta - enfia o pincel no cú.
   Passei a entender que eu sou um menino de pés sujos, suado e querendo brincar de pique-cola-americano porque faltam 20 minutos pra ir jantar, estando em um playground lotado de crianças limpas, emburradas e brincando sozinhas, cada uma com um brinquedo mais legal que o outro.
   Quem são as suas referências?! Eu olho em volta e me sinto sem chão, sem um norte visto que todo mundo tá infeliz tendo a certeza de que está fazendo tudo certo. Em Copacabana, em Portugal ou  no Canadá: parece mentira mas algumas vezes, o mundo dentro das nossas cabeças preserva aquilo que nunca de fato existiu no mundo físico. Não sei se essa é a única maneira de sobreviver: catando lixo no Canadá, lembrando do tamarindeiro, se convencendo todos os dias de que vale a pena acordar e encarar a minha dose diária de veneno, chamada "sociedade". Mas e aí? Ninguém me ensinou o caminho por onde eu vou praticar tanto conhecimento sem ser sugado, explorado, cozinhado e descartado.
Setembro amarelo, né? Tá certo. Sigam-se as eleições e que venha o Outubro Rosa.

29 de agosto de 2018

Disseonário do Vômito

Há uns 23 anos eu era um skatista cabeludo que escrevia sobre aurora, crepúsculo, amanhecer, eclipse, coisa e tal. Era algo meio a ver com reflexões envolvendo ciclos da vida, filosofias associadas ao surf e tudo mais. Tudo isso em um período em que o carioca era dominado pelo Bonde do Tigrão. Meu nome é Nemer. "Nemer" significa "tigre" em árabe e como é de se imaginar, era algo que escondia na época. Mais tarde, uns 10 anos depois veio o mala do Felipe Dylon (já ensaiamos juntos hahaha) e a Musa do Verão, que me fizeram perder completamente o interesse pelo o surf, e retirando da internet vários textos que até então havia escrito. Já em 2009 uma série de livros se tornou popular e eu (ainda na imaturidade de querer me preservar autêntico) reescrevi, retirei e adaptei vários textos que compartilhava - de novo. Ora, não dava pra resumir os meus delírios de adolescente de 15 anos a vampiros porpurina e lobisomens peito depilado. Que dirá ser associado a cultura do surf aonde as referências eram marginais "wanna be" locais do Arpoador.
   No meio desses processos, escondi as minhas letras, minhas músicas e tudo mais. Por que eu iria dividir as minhas idealizações de mundo com uma sociedade que preferia brigar pra ver se no Canecão iria ter Lulu Santos ou eventos culturais da UFRJ? Minha terapeuta diz que meu lado que gostava de artes e música foi ofuscado pela minha vontade de ser aceito socialmente e, nas palavras dela: "virou um mito e deveria ser mais explorado." Sabe como é, né? Minha cabeça é meio diferente e depois que ela falou a palavra "mito" eu não ouvi mais nada. Fiquei cego... agora mais uma palavra virou um problema na minha cabeça confusa. Crepúsculo, vampiros, lobisomens, surf, cultura pop dos anos 80... cara, quanta coisa bacana jogada, tacada como um pedaço se carniça no meio de um monte de iena gorda. Agora a palavra "mito" e devirados "mitada",  "mitou" e "mitação" fazem parte do meu dicionário do vômito. Juntamente com a calça da Gang, carnaval em Cabo Frio, sanduíche de mortadela, lavajato e tudo o quê ela representa. Enquanto vocês se matam pra ter razão e acalmar o ego tirando selfie e comentando as eleições, tem gente querendo ver e ouvir idéias, aprender sobre o sexo dos anjos e trabalhar pra conquistar as coisas, é claro. Mas com o foco em trocar de forma saudável, crescendo e construindo durante o processo. E não sugando, parasitando, separando, brigando e "mitando".
   O "Mito"... daqui a pouco passa, tipo a Eguinha Pocotó, o Bonde do Tigrão e o Planeta Xuxa. O mais triste é que acaba sofrendo o efeito "bigodinho de Hitler" - eu prefiro não usar pra não fazer apologia.

1 de julho de 2018

Seja bem vindo, tem lugar sobrando.

   Chega uma hora, geralmente quando já estamos 8h ou mais sem proferir uma só palavra, que  começamos a conversar com os próprios pensamentos. As lembranças vêm e trazem consigo cheiros, gostos, lágrimas, sorrisos..., e quando olhamos para o relógio, já se passaram mais 8h. Soa esquisito pensar que são 16h de de silêncio num dia de 24h. Nesse meio-termo, nós mergulhamos nas redes sociais e assistimos o mundo girando em uma selfie de um grupo de amigos, ou  famílias reunidas e sorrindo.

    A parte mais inquietante seria que nós aprendemos a guardar o sorriso dentro de casa, em um lugar bem seguro. Simplesmente porque quando um adulto sozinho, de mãos vazias e sem fones de ouvido mostra um sorriso enquanto aguarda o metrô cheio de gente apressada - as bocas tortas, os olhos revirando agem como anticorpos. Se caso ao acaso, o seu sorriso continuar estampado na sua cara, mesmo estando rodeado por tantos fantasmas, os meus parabéns: você ocupa um lugar de louco na sociedade.

6 de dezembro de 2017

Saiba Valorizar a sua Liberdade - Utilizando screenshots.

    Quando procuro meus discos de backup, geralmente me deparo com muita coisa legal sobre a "minha historia digital". Uma delas são screenshots de conversas que de alguma forma me chocaram e que ainda, eu posso usar para consultas futuras. Em pouco menos de dois anos desde que fiz o meu ultimo backup, aprendi as seguintes lições:

- Pessoas podem ter vergonha de andar de ônibus, trem, receber carona em carro velho, podem pisar em quem tem menos poder e quando não, é claro, ficam contando na mesa de bar quantos bens teria a nova parceria amorosa. Ok, nenhuma novidade. Mas o interessante seria  que essas pessoas estão SEMPRE andando de trem, não possuem condições de comprar carro e o mais assustador: ficam contando moedinha e pagando meio pastel na hora de dividir a conta do bar. - no Leblon, claro.

- As pessoas podem ter um medo doentio de serem traídas e muitas vezes, tem um ego enoóóóóóóóóóóóóórme disfarçado de sentimento de posse, que apenas denuncia o quanto elas não suportariam serem insuficientes em uma relação a dois - algo como ter medo de ser chamado de corno e não de ter o coração partido. Ok, eu  sei: sem novidades - mas sabia que essas pessoas geralmente são as que mais exigem fidelidade? Sabia, né?  E pasme: são as mais passiveis de cometer violência! AAAaaah, sabia mesmo? Sabe aquele amor de pessoa que todo mundo adora e é um exemplo na empresa, no bar e no prédio? Haha isso! Isso mesmo! Geralmente são esses seres humanos!

- Outro determinado tipo de pessoa, se comporta como "migo tinhãmo". Adoram você e seus conselhos logo depois de 5 minutos de terem te conhecido. De cara perguntam sobre a sua vida, sobre como estão as coisas, riem de qualquer piada. Te pedem carona, grana na vaquinha da internet e até emprego! Te perseguem no Instagram curtindo tudo e comentando "top" em cada post seu. Esse, vai ser o ser humano que vai aprender a costurar só pra fazer a sua boneca de vodoo, torcendo pela sua infelicidade, imitando suas fotos no Instagram espalhando veneno em tudo e em todos no seu entorno - felicidade alheia causa dor e não espere um "obrigado" por ter doado dinheiro, tempo e em alguns casos até agradeça de estar vivo.

- Pessoas responsáveis e comprometidas com o trabalho tendem a odiar maconha e cigarro com todas as suas forcas, fazem ativismo nas redes sociais, comem barrinha vegana no lanche, odeiam esse ou aquele partido, tem família exemplar (risos)! Mas a cocaína e o álcool no trabalho, a prostituta na hora do almoço e "aquela trip top pro Loola" não podia ficar sem bala, doce, MD, gota - porque claro, são coisas extremamente normais e de gente não drogada, totalmente aceitáveis naquele #tbt de quinta feira que só brasileiro estilo #quevidalindaeutenho acha descolado e cool. Claro, padrões da normalidade estilo vamos emagrecer saboreando remédios tarja preta.

- Pessoas dão opinião sobre você, copiam as suas fotos e roubam seu conteudo e infernizam a sua vida da mesma forma que um pombo joga merda na sua cabeça: sem te perguntar nada, sem te conhecer, sem te respeitar e sem te dar bom-dia.

-Por fim: pouquíssimas pessoas (tipo pouquíssimas mesmo!!!)  desconfiguram o computador sem acessar pornografia e pirataria (amando a frase "bandido bom blá blá blá") - e tudo bem, isso não seria vergonha! A indignidade reside no fato do ser humano colocar a culpa no filho, no irmão e pasmem: tem gente que culpa a própria mãe na hora em que o diagnostico vem: "o vírus tava no arquivo "cutebabe14yearsxxx.mp4". Algo como você ser contra cotas, odiar mimimi de racismo e feminismo e se você ouvir piada de gordo, chorar por discriminação - nesse caso, a policia ta investigando mesmo.

Para concluir, entenda que salvar screenshots pode te ensinar muito sobre o seu passado e sobre como a sua vida empaca quando você se rodeia de EGOísmo. Esteja grato se ao acaso essas pessoas estiverem ao menos longe da sua vida cotidiana. A liberdade que gastamos apenas pra provar que estamos certos, seria na verdade, uma prisão solitária e angustiante.

"pra cada lição, um screenshot."

11 de novembro de 2016

Eu, morador de Copacabana, 34 anos, adolescente e falido.

Nunca me senti tão feliz em ter 34 anos. Eu trabalhei muito duro na vida pra conquistar meus sonhos. Quantas conquistas!! Sempre sonhei em dormir em uma suite, com cama de casal e ar condicionado sem precisar sair do quarto pra ir ao banheiro. Hoje finalmente depois de ser expulso de 3 colégios, me formar na faculdade, terminar uma pós, aprendendo a analisar o mercado durante anos, trabalhar de garçom, ter sido burro de carga em hotel, encaixotar comida chinesa e sair do mercado de trabalho como analista financeiro de negócios, finalmente comprei um tablet e paguei todas as minhas dívidas - acredite, eu tinha muitas.
   Sim..., e aqui está ele, o meu maior patrimônio conseguido com ajuda de todos os direitos trabalhistas que a esquerda conseguiu me garantir nesse mundo sangue-suga capitalista: meu quarto com ar condicionado e banheiro (parece um pinico, mas é banheiro).
Meu quarto fica aqui é em Copacabana na casa da minha mãe que vive de pensão e me amamentava na hora do almoço. Aqui e eu sou totalmente livre pra usar da forma que eu quiser, posso até pendurar quadro e dormir até tarde - menos às sextas, quando a diarista vem e eu não posso dormir até meio dia porque, né? Minha mãe fica chateada se ela não limpa meu quarto.
   Infelizmente isso não é engraçado. Por isso que hoje em dia convivemos com muito adulto pseudo intelectual de barba lamber achando que o mercado de trabalho e a economia estão impossíveis, enquanto estuda pra concurso, pedindo o mestrado de presente pros pais pra poder ganhar mais em alguns anos mamando na teta do governo odiado.
   A geração Y ganhou um mundo de possibilidades nas mãos - mas ninguém ensinou a usar. Eu entendo que é difícil empreender através da real meritocracia e ainda educar um ser humano totalmente diferente sem ninguém ter te dado uma pista além do chinelo. O nossos pais fizeram o melhor que puderam, mas adivinha: nossos pais estão de saco cheio e com medo por nos ver em casa. Alguns até nos querem perto e nos querem bem, mas inegavelmente estão com vergonha de falar pros amigos deles que ganhamos 2 mil reais pra poder pagar parcela do carro, tomar chop na Nelson Mandela em Botafogo e pagar um picolé Magnum na piscina condomínio do amigo emergente que mora em Curicica e fala que é Barra. Por que, né? Nascemos em uma família que tinha Chevette 80 e depois Monza, Santana Quantum e Astra 99,  frequentamos Anglo Americano, Notre Dame, Colégio São Paulo e todos aquelas escolas com nome de santo em Botafogo, quando na nossa infância. Nós hoje viajamos de Groupon com milhas pra Buenos Aires e não queremos pegar trem (sick), mas tiramos selfie na cobertura da amiga no LeBron e vamos pra casa de ônibus troncal. Nosso Instagram é de dar inveja, tem muita "força foco e fé" enfeitando o mundo dos sonhos dos finais de semana em Búzios de qualquer adulto vazio.
   Leitor, fale aos seus amigos da Zona Sul carioca que somos em maioria acomodados na casa de nossas famílias porque ninguém quer sair de perto da praia esperando o almoço sair assistindo Canal Off,  pra viver com os próprios recursos em Água Santa ou na Baixada e ter que conhecer o mundo real. A causa dessa geração ter dado errado: não fizemos esforço porque sempre vivemos como filhos de alguém que fazia algo importante pra outro alguém que de fato era importante. Hoje as multinacionais só funcionam porque essa galera que pega trem e mora longe dessa nojeira, ta lá querendo subir pra comer  batata Pringles no saguão do aeroporto. Enquanto isso, os filhos da classe média dos anos 90 que não são atropelados por gente que aprendeu na marra a se virar, tão gerenciando qualquer processo, se perguntando o quê deu de errado e, se alguém pode dar uma força com o bebê porque a babá também tem vida e foi embora. Se perguntando por que é tão difícil crescer no Brasil e porque a sensação de insegurança não vai embora. Salvo quando não são demitidos e vão pro Canadá e Austrália trabalhar arrumando casa... opa, foi mal, ser Housekeeper.
   Esse dias completei 34 anos e acordei pro Matrix sem tomar a pílula azul de Rivotril. Na sequência resolvi pedir licença e desculpas pra sociedade, visto que ainda não achei meu lugar nessa estrutura e embaralhado social. E ainda digo que pode ser que eu demore pra ser menos amargo, me descontaminando de tanto comportamento mimado, sem causa e cheio de agressividade todas as vezes em que esbarro com um ego inflado chegando de Uber no bar. Solidão é triste, mas estar sozinho e se adentrar é algo precioso e ensina muito a enxergar melhor alguns processos. Vamos tentar fazer algo útil com um mundo de conhecimentos sujos de frustração movido a sonhos servidos com sangue frio de acompanhamento, temperados de FGTS pra beber com seguro desemprego. O mundo é maior do qualquer modelo de estrutura social que nos são oferecidas, logo acho justo que façamos disso uma porta aberta para um mundo de outras possibilidades fora de nossos quartos.
Fui tentar me encontrar e o triste é que "o bom filho, sempre à casa torna."


19 de fevereiro de 2016

Ta Tudo Errado.

Amigos são amigos e têm a obrigação de dar esporro quando precisa. Taí: joguei no ventilador.

"É caras, a gente pensa diferente mesmo. O sertanejo universitário é a menor das diferenças aqui, menos ainda as ambições de vida. Meu maior medo de botar filho no mundo é de ver ele sofrer na mão de uma mulher que ele venha a gostar, ou de ser assim e se tornar isso. Ou mesmo uma filha que possa se tornar isso aí ou casar com um cara que pense assim. Olha aí vcs, eu sei que geral aqui ama a própria esposa e não conheço um cara casado nesse grupo que não trai. Aí depois tem foto do casal se amando no Facebook com hashtag amor eterno. Cara... Nesses grupos de mulher deve ser a mesma merda, mas eu só posso falar do quê eu vejo. Na boa, vcs são meus amigos pra caralho, amo vocês mesmo!! Fico triste de saber e de ver que que a líbido vem antes do respeito por quem se ama. Desde que comecei a amadurecer a idéia de casar, penso em ser o cara que minha filha ou filho iriam admirar. Eu não sei bem aonde dói caras, eu tenho irmã, mãe, amigas. E a ultima coisa que quero na vida é ser amigo de um casal e ter que ver essa hipocrisia suja de perto me segurarando pra não falar alguma coisa. Seja a casada aí do print que vocês mandaram pulando o muro, ou vocês que tão no meu coração fazendo o mesmo. Sei lá mano, tô amargo pra caralho e não é porque eu sou religioso, frígido ou hipócrita. Sou egoísta sim, adoro sexo casual e faço sempre que rola uma oportunidade boa. Já fiz vaaaaaarias vezes só porque tava entediado. Penso constantemente com meu instinto de macho. Mas eu fico bobo e magoado toda vez em que tenho esse choque de realidade. Tentem entender: eu jamais tiraria uma moça da casa dos pais pra morar comigo e ficar do meu lado na pia cerrando os chifres enquanto eu faço a barba. Obrigado por me darem a oportunidade de perceber essas coisas. Espero que vocês aceitem minha maneira de pensar, e que continuemos amigos-irmãos porque eu dou um abraço de verdade em vocês mesmo tendo escrito isso tudo que penso. Queria eu não amar tanto vocês como amo, porque é esse amor que faz continuar a ver isso tudo sem jogar fora anos de amizade. Só lembrem-se: meu casamento que era pra vida inteira, acabou e eu hoje tô feliz de isso ter acontecido. Espero não dizer o mesmo da nossa união daqui a um tempo. "

E era isso que eu queria escrever num desses grupos de whatsapp mas enviei um "hahahahahahahaha" e uma carinha rindo.  É assim que a banda toca pra muitos, mas ninguém fala. Não pense você que isso é uma indireta, é um desabafo. Nas aulas de marketing aprendi que pessoas tendem a comprar a partir da empatia. Então por empatia eu resolvi publicar isso tudo. Por empatia eu peço: repensem seus sonhos de maneira honesta, porque viver um sonho de mentira, faz a sua vida ser uma mentira e em determinado tempo, só vão restar amarguras. Só porque tá tudo errado e acho que a gente pode ser melhor.

12 de fevereiro de 2016

O meu eu.

24/09/10

Ele viu o sol poente, sentiu o gosto da cerveja quente em copo barato e pediu ao baixinho do bar pro tempo passar mais rápido. Se pôs em águas de olho no rosto e escondeu o medo do novo.
Cada bar uma cerveja, cada sorriso um gosto. E de ponta em ponta o ego alimentado se via cada vez mais carente e vaidoso. Perigoso. Fugia, corria, com cada palha do fogo de energia gastada, virava uma briga armada, uma garrafa quebrada, uma galera reunida e um tanto de vontade de se sentir menino de novo.
Nesses dias, se viu sorrindo: de tempo em tempo isso acontece. O contexto muda e as fotos tiradas ficam na lembrança. Ao mesmo tempo em que a saudade do que se vai perturba o sono. Não pelo fato de ser lembrança, mas pelo fato de não mais existir.
O espaço ocupado, se vê vazio. O vazio abre espaço. Espaço para ser o que se busca, para aprender a se movimentar de outras formas. De outros jeitos. Sejam esses em lençóis, ou em mesa de bar.
Cheiro de novo. De novo, o novo. E uma nova paixão disso irá surgir, não com ganho de peso em corpo e desgaste, não com abraços de amor e noites tranquilas. Indo pra frente, pensando no hoje para chegar-se bem ao amanhã. Sem esforços, sem força.
Deixar-se livre. O egoísmo vem antes da morte, e se acaso eu encontrá-la porta a porta, lado a lado em cama, escondida na vida boêmia, eu confesso: já terei meu novo amor.